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Radar Econômico Economatos: crédito, emprego e regras em transição

Semana de 26 de outubro a 1º de novembro de 2026. O emprego medido por pesquisa continuou firme, mas o custo do crédito livre subiu. Para empresas, a leitura conjunta importa mais que qualquer indicador isolado: demanda de trabalho, custo de financiamento e regras ainda em definição exigem decisões distintas.

Três destaques

  • Crédito mais caro: o Banco Central divulgou em 29/10 que a taxa média do crédito livre às pessoas físicas atingiu 62,4% ao ano em setembro de 2026, alta de 0,6 ponto percentual ante agosto. Para pessoas jurídicas, foi 24,4% ao ano. São médias do segmento, não taxas de um contrato específico. Nota do BC.
  • Mercado de trabalho: o quadro da PNAD Contínua divulgado pelo IBGE em 30/10 mostra desocupação de 5,2% no trimestre móvel de julho a setembro de 2026, ante 5,4% no trimestre de abril a junho. Não é taxa exclusiva de setembro nem saldo de empregos com carteira. Quadro do IBGE.
  • Regra ainda não concluída: em 28/10, o TCU calculou 11,3% como alíquota de referência da CBS para 2027. Segundo o tribunal, cabe ao Senado fixá-la por resolução até 15/12/2026; o cálculo não é, por si, alíquota vigente nem carga efetiva de cada operação. Comunicado do TCU.

Também na semana

  1. Atividade no Paraná. O IPARDES publicou em 28/10 levantamento com dados do Banco Central: de janeiro a agosto de 2026, o índice regional avançou 1,82% ante igual período de 2025, contra 1,55% no Brasil. A página é do IPARDES, com texto creditado à AEN; a série bruta do BC não foi conferida nesta apuração. O resultado não é o PIB definitivo do estado nem mede todos os setores igualmente. Levantamento do IPARDES.
  2. Contas públicas. O Tesouro publicou em 29/10 superávit primário de R$ 4,8 bilhões do Governo Central em setembro de 2026, a preços correntes, contra déficit de R$ 14,4 bilhões em setembro de 2025. Um mês não define a trajetória fiscal. Resultado do Tesouro Nacional.
  3. Mercado de carbono. A Portaria SEMC/MF nº 3.199, publicada e vigente desde 29/10, escalona a apresentação inicial de planos de monitoramento de emissões: 2027 para setores da primeira etapa, até 2029 para a segunda e até 2031 para a terceira. A própria portaria ressalva que o CNAE listado não sujeita automaticamente todas as atividades; fontes e instalações reguladas ainda serão definidas em ato específico. Texto da portaria no DOU.
  4. Diesel. A Portaria MF nº 3.181, publicada e vigente em 27/10, prorrogou por 30 dias, contados da publicação, o valor unitário da subvenção ao diesel. O Ministério da Fazenda identifica esse valor como R$ 2,12 por litro e os beneficiários como produtores e importadores. Não há nesta fonte prova de repasse integral ao preço na bomba ou ao frete. Portaria no DOU e nota da Fazenda.

Leitura complementar publicada em 2/11: a análise da Economatos sobre a NFS-e nacional no Simples explica que a competência do serviço define o canal da nota. Para serviços sujeitos à NFS-e, competências desde novembro seguem para o Emissor Nacional; em municípios que usavam emissor próprio, as competências anteriores continuam no emissor municipal.

Consequências práticas

Para famílias: comparar o custo efetivo da proposta de crédito, e não aplicar a média nacional ao próprio contrato. O BC também registrou inadimplência de 8,1% no crédito livre às pessoas físicas em setembro, com alta de 0,1 ponto percentual no mês. Nota do BC.

Para empresas: confrontar custo de capital de giro, prazo de recebimento e margem antes de financiar vendas. No Paraná, o indicador de atividade ajuda a formular cenários de demanda, não substitui o fluxo de caixa do negócio. Se a operação pode ser afetada pela CBS ou pelo mercado regulado de carbono, mapear operações, instalações e documentação, sem tratar referência técnica ou CNAE isolado como obrigação definitiva. O Diagnóstico financeiro empresarial da Economatos organiza essa comparação para o caso concreto.

Próximos eventos e pontos de acompanhamento

  • 4/11/2026, às 14h30: o Ministério do Trabalho e Emprego marcou a apresentação dos dados de setembro do Novo Caged. A PNAD mede uma população por pesquisa amostral; o Caged registra vínculos formais. Não antecipamos o resultado. Aviso do MTE.
  • Até 15/12/2026, segundo o TCU: acompanhar a resolução do Senado sobre a alíquota de referência da CBS. Até lá, não confundir o cálculo aprovado pelo tribunal com a fixação da alíquota. Comunicado do TCU.
  • Regulamentação futura: acompanhar o ato do órgão gestor do mercado de carbono que definirá fontes, instalações, formato e prazos de entrega. Portaria no DOU.

Leitura da Economatos

Interpretação da Economatos: o emprego firme não elimina o custo de financiar o crescimento. Empresas devem testar prazo e margem com a taxa efetivamente oferecida, enquanto separam mudanças já publicadas das regras ainda dependentes de ato posterior. Indicadores nacionais e regionais são contexto, não previsão de caixa ou recomendação individual.

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