Como corrigir um valor pelo IPCA, IGP-M ou Selic (e por que o resultado muda)
Você tem um valor antigo para atualizar: uma parcela em atraso, um aluguel, uma condenação, um saldo de contrato. Alguém diz "corrija pelo índice" e o número que sai muda bastante conforme a escolha. Este texto explica de onde vem essa diferença e como conferir a conta.
Correção monetária não é juros
São duas coisas separadas, e misturá-las é o erro mais comum.
- Correção monetária recompõe o poder de compra do dinheiro. Ela acompanha a variação de um índice de preços ou de uma taxa, para que R$ 1.000 de ontem valham o mesmo hoje.
- Juros remuneram o tempo ou punem o atraso. Cada contrato ou decisão define a taxa, se são simples ou compostos e a partir de quando contam.
Primeiro corrige-se o valor. Se houver juros, eles entram em seguida, conforme o que está escrito no contrato ou na decisão.
O índice faz diferença
Cada índice mede uma coisa diferente, e por isso a variação do mesmo período não é igual.
| Índice | Quem calcula | O que mede |
|---|---|---|
| IPCA | IBGE | Inflação de preços ao consumidor, a medida oficial |
| INPC | IBGE | Preços para famílias de menor renda |
| IGP-M e IGP-DI | FGV | Índices gerais de preços, muito usados em contratos |
| Selic | Banco Central | Taxa básica de juros, usada também para atualizar dívidas |
| TR | Banco Central | Taxa referencial, usada em alguns financiamentos |
O índice que vale é o definido no contrato ou na decisão. Na falta dele, a escolha precisa ser justificada, porque muda o resultado.
Como o cálculo funciona
A correção é feita mês a mês, multiplicando os fatores de cada mês:
- Pegue a variação do índice em cada mês do período.
- Transforme cada variação em fator:
1 + variação. Uma variação de 0,5% vira 1,005. - Multiplique todos os fatores. O resultado é o fator acumulado.
- Multiplique o valor original pelo fator acumulado.
Um exemplo com percentuais fictícios, só para mostrar a conta. Um valor de R$ 10.000,00 em três meses com variações de 0,5%, 0,4% e 0,3%:
1,005 × 1,004 × 1,003 = 1,012047 (fator acumulado)
R$ 10.000,00 × 1,012047 = R$ 10.120,47
Os meses não se somam: 0,5% + 0,4% + 0,3% daria 1,2%, e o resultado correto é 1,2047%. A diferença cresce com a taxa e com o prazo.
Onde o resultado costuma mudar
- Índice errado ou diferente do contrato. Mesmo período, índices diferentes, valores diferentes.
- Data inicial. Corrigir "desde o vencimento" ou "desde a citação" muda quantos meses entram.
- Meses incompletos. Quando o período não começa ou termina no primeiro dia do mês, é preciso decidir se o mês entra inteiro ou proporcional aos dias.
- Juros simples ou compostos. Simples incidem só sobre o valor original; compostos incidem também sobre os juros já acumulados.
- Base dos juros. Juros sobre o valor original ou sobre o valor já corrigido dão resultados diferentes.
Qualquer uma dessas escolhas pode mudar o valor final. Por isso o cálculo útil mostra cada mês, o índice usado e a fonte, de modo que outra pessoa consiga conferir.
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A calculadora de correção monetária da Economatos usa índices do Banco Central (IPCA, INPC, IGP-M, IGP-DI, Selic e TR), aceita juros simples ou compostos e mostra a memória de cálculo mês a mês. Ela roda no seu navegador: os valores e as datas não saem do seu aparelho.
Se o cálculo vai para um processo ou contrato, vale refazê-lo com a documentação completa. Isso é parte do trabalho de perícia econômico-financeira.
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